Todos sabem o que é cor. Explicar o conceito é bem mais complicado
Muitos já ouviram “Aquarela”, de Vinícius e Toquinho, mas nem todos se recordam da letra da canção. Dependendo da sua idade, é possível que se lembre de um comercial de uma marca de material escolar, no qual as coisas a que a música se refere vão sendo desenhadas e coloridas com canetinhas, lápis de cor, pincéis e tintas guache.
Mesmo quem não conhece a música constata que as cores estão em nossa volta o tempo todo: nos objetos de casa, nos cartazes e prédios da cidade, nos carros, nos remédios, na natureza – reino que detém a maior variedade de cores – e até naquele quadro que você pintou aos 10 anos de idade e que sua mãe guarda como se fosse uma obra de Da Vinci.
Sabe-se que o interesse do homem pelas cores vem desde a pré-história. Na tentativa de reproduzir as cores que viam à sua volta, os habitantes daquele período coletavam materiais da natureza e, através de uma química primitiva, criavam pigmentos e pintavam seus corpos, utensílios e as paredes das cavernas. O nível de aperfeiçoamento da técnica aumentou de acordo com a evolução das diferentes formas de manuseio do material colorido, até que, no período neolítico, criou-se uma pequena indústria de produção de pigmentos.
Graças ao uso das cores podemos hoje saber e entender como viviam e se organizavam as sociedades daquela época.
Cor
“Aquarela” fala do desenho de um sol amarelo, mas só quem vê o Sol, um desenho do Sol ou o amarelo no arco-íris sabe como é o amarelo.
Portanto, a única maneira de identificar uma cor é olhar para ela, e para ver precisamos de luz. Porém, existem duas formas de cor: a cor-luz e a cor-pigmento. A primeira não existe na ausência da luz, é resultado da absorção da luminosidade por algo que seja transparente. Já a cor-pigmento é material, portanto reflete a luz. Vejamos os conceitos e descobertas de ambas as formas a seguir.
COR-LUZ - Isaac Newton, físico inglês que formulou a Lei da Gravidade, fez descobertas surpreendentes sobre cor e luz a partir da observação do arco-íris (fenômeno natural no qual a luz do Sol é absorvida pelas gotas de chuva, que a decompõem em seis cores).
Com alguns prismas e lentes nos quais fez incidir a luz do Sol, Newton separou as cores para estudá-las. Ele obteve uma faixa colorida, que nomeou espectro solar. Mas nem todas as cores podem ser vistas pelos nossos olhos. O infravermelho e o ultravioleta, por exemplo, não são cores visíveis no arcoíris. O gráfico na página mostra a decomposição da luz em cores e o retorno à composição da luz branca.
Dessa forma, o que vemos é o espectro das seis cores visíveis: azul-violeta, ciano, verde, amarelo- limão, vermelhoalaranjado e magenta. Alguns estudos acrescentam o anil como mais uma cor visível. Essas cores podem ser somadas e, assim, surgirão novas tonalidades. Mas somente três dessas seis ou sete são chamadas de primárias: o vermelho-alaranjado, o verde e o azul – em inglês, red, green e blue, respectivamente.
O processo de soma das cores primárias é chamado de sistema aditivo. Nele, a mistura das três principais cores em proporções e intensidades variadas resulta em todas as outras, mesmo as que não estão no espectro solar. É por esse motivo que o sistema de cor da comunicação visual chama-se RGB (iniciais de red, green e blue): com o processo todas as cores são possíveis, inclusive a branca.
Vimos que a luz branca é a soma de todas as cores, já a cor preta é a ausência de luz. O preto é o escuro, o que vemos quando fechamos nossos olhos, quando não há luz refletida.
COR-PIGMENTO - Imagine o primeiro verso de “Aquarela”: “Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo...”. Na ação de desenhar um sol amarelo, utilizamos a cor-pigmento, pois é ela que dá cor a tudo o que é material. Nesse caso, a cor está no lápis ou na tinta guache utilizada para fazer o desenho em uma folha.
Cada pigmento reflete somente a cor que não é absorvida. Dessa forma, o amarelo do desenho absorve da luz branca as cores azul-violeta, ciano, verde, vermelho-alaranjado e magenta, mas reflete somente a luz amarela, a cor que podemos ver. Seguindo os estudos de Newton, classificamos as cores-pigmento inversamente às cores-luz. A mistura de cor-pigmento é chamada de mistura subtrativa e suas cores primárias são o ciano, magenta e o amarelo-limão – em inglês, cyan, magenta e yellow. Com a mistura dessas três cores primárias temos o preto, ou black, em inglês. É dessa base de cores que surgiu o CMYK, sistema utilizado para obter melhor resolução na impressão de figuras.
NOMENCLATURA DAS CORES
As cores-pigmento primárias (magenta, ciano e amarelo-limão) são chamadas também de cores puras, pois é a partir da mistura de duas delas que as outras aparecem. Por exemplo, se misturarmos as cores amarelo-limão e ciano na mesma proporção, teremos a cor verde, e essa nova cor fará parte das secundárias.
Já as cores terciárias são todas as outras, obtidas quando misturamos duas cores primárias em proporções diferentes, ou as três primárias em proporções iguais ou não. A cor marrom, por exemplo, é uma cor terciária obtida da mistura das três primárias.
Diferentes das primárias e secundárias, as cores neutras em geral refletem pouca luz. Não só os tons de cinza e marrom fazem parte do grupo das cores neutras; tons de amarelos acinzentados, azuis e verdes acinzentados e os violetas amarronzados também, pois a função dessas cores é servir como complemento da cor aproximada.
O matiz tem máxima intensidade e é o oposto das cores neutras, que são puras. Quando misturadas, produzem cores de alta qualidade sem o acréscimo de pigmentos pretos e brancos.
ContrastesCada apresentação visual envolve a relação figura-superfície, que evidenciará o nível de contraste. Quanto maior o contraste entre o objeto e sua superfície (papel ou tela), mais visível a figura se torna. Quando criamos figuras para serem vistas, é importante oferecer ao espectador um contraste suficiente entre elas e o papel. O ideal é colocar uma figura preta sobre uma superfície branca. Se o contraste for baixo, o conjunto pode causar fadiga ocular à pessoa que vê o objeto.
Uma ocorrência conhecida como contraste simultâneo acontece quando cores opostas estão localizadas uma sobre outra. O texto pode parecer vibrar ou moldar uma sombra. A exposição prolongada a essa imagem pode causar cansaço ocular.
Sistemas de coresTodos nós vemos as cores de maneira diferente. Traduzir a cor exata de uma flor no papel impresso de uma revista não é uma tarefa fácil. É importante entender como as cores são lidas por scanner, câmera digital, monitor e impressora para reproduzir com precisão tudo o que se deseja. Por isso foram criados sistemas e modelos de cores. Um sistema é uma representação gráfica utilizada para identificar e localizar uma determinada cor em relação a saturação, tom e luminosidade.
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Um triângulo de cor (ou um disco de cor) é uma representação visual das misturas conseguidas com a combinação de cores e de seu relacionamento com outras no espectro. Utilizar um triângulo da cor é uma boa maneira de compreender rapidamente essas relações ou estimar o resultado final delas quando misturadas.
Modelo de CorUm modelo de cor é um sistema utilizado para organizar e definir cores conforme um conjunto de características.
Para a tradução entre o que foi realmente fotografado e a impressão da revista, é preciso compreender como funcionam os diferentes sistemas de cores.
Um sistema de cor utiliza parâmetros, como saturação, tom e luminosidade, para determinar a posição da cor no espectro. Para visualizar esses padrões, foram criados diferentes modelos, como círculo cromático, estrela das cores, cone cromático, tetraedro cromático e cubo cromático.
Modelos de coresUm gamut é a faixa de cores que um sistema pode exibir ou imprimir.
Entre os modelos de cores utilizados, o modelo LAB apresenta o gamut mais amplo e engloba todas as cores dos gamuts RGB e CMYK. Em geral, o gamut RGB contém um subconjunto de cores que pode ser visualizado em um monitor de computador ou televisão (que emite luz vermelha, verde e azul). Portanto, algumas cores, como ciano puro ou amarelo puro, não podem ser exibidas com precisão em um monitor. O gamut CMYK consiste de cores que podem ser impressas utilizando as tintas das cores de processo. As cores exibidas na tela que não podem ser impressas estão fora do gamut CMYK.
Modelo RGBImagens RGB utilizam três cores para reproduzir na tela até 16,7 milhões de cores. Em um monitor colorido, elas são formadas pela reunião de minúsculos pontos na tela, chamados pixels. A
cada uma das três cores (vermelho, verde e azul) é atribuido um valor numérico de 0 a 255. Quanto mais altos os valores, maior é a quantidade de luz branca. Assim, valores elevados de RGB resultam em cores mais claras. Esse modelo apresenta uma desvantagem: pode ocorrer variação de cores entre monitores e digitalizadores, o que acarretará um desvio em suas especificações e, devido a isso, as cores serão exibidas de maneira diferente.
Modelo CMYKAs cores do monitor são reproduzidas em uma impressora através dos pigmentos. Eles criam as cores primárias azul, amarelo e vermelho, as quais, unidas, criam outras. O método mais comum de reprodução de imagens coloridas em papel é a combinação de pigmentos ciano, magenta, amarelo e preto. Nesse modelo, cada cor é descrita com uma porcentagem (de 0 a 100).
Os pigmentos produzem cor porque refletem determinados comprimentos de onda de luz e absorvem outros. Os pigmentos mais escuros absorvem mais luz. Porcentagens mais elevadas de cor resultam em cores mais escuras.
Teoricamente, quando 100% de ciano, 100% de magenta e 100% de amarelo estão combinados, a cor resultante é preta. Na realidade, um marrom escuro.Desse modo, para compensar as limitações de cor, o pigmento preto precisa ser adicionado ao modelo de cor e ao processo de impressão.
O modelo de cor CMYK é chamado de modelo subtrativo porque cria cores absorvendo luz.
Modelo HSBSem luz, todos os objetos ao nosso redor são desprovidos de cor. Com base na maneira como as pessoas percebem as cores, o modelo de cor HSB as define com três atributos: matiz (H), saturação (S) e brilho (B) – hue (H), saturation (S), brightness (B). Matiz é o nome que damos a uma cor na linguagem técnica. Os matizes formam o círculo das cores. Vermelho, azul e verde são matizes.
Saturação ou croma é a vivacidade e a quatidade de concentração de cor que o objeto contém. Quanto mais alta é a saturação, mais intensa é a cor. Brilho refere-se ao acréscimo ou remoção de branco de uma cor.
As cores podem ser separadas em claras e escuras quando seu brilho é comparado.
O brilho é a medida de intensidade da luz em uma cor, baseado na percepção humana das cores.
Modelo LABEm 1931, um trabalho da Commision Internationale de L’Eclairage (CIE) definiu um modelo de cor baseado na maneira com que o olho humano percebe as cores. Em 1976, esse modelo foi refinado para proporcionar cores consistentes, independentes das características de qualquer componente de hardware. Em alguns programas, como o Photoshop, o LAB é utilizado para converter um modelo de cor para outro. Assim, quando faz a conversão de RGB para CMYK, primeiro passa para LAB e, então, de LAB para CMYK.
CÍRCULO CROMÁTICO
O círculo de cores é uma representação visual das cores arranjadas de acordo com o relacionamento entre si. A graduação começa com tons primários e secundários e forma uma ponte cromática entre cores análogas. O círculo é dividido em escalas visualmente ativas ou passivas.
As cores ativas parecem avançar quando colocadas sobrepostas a tons passivos (na ilustração, do amarelo-limão ao cor-de-rosa). As cores passivas parecem retroceder quando posicionadas sobrepostas a tons ativos (do azul-marinho ao verde). Os mais mornos, saturados e leves são ativos e
visualmente avançados, como o laranja. Já as tonalidades de baixa saturação, pesadas, são “passivas” e retrocedem visualmente, parecendo mais claras do que as altamente saturadas. Mas existe outra categoria de cores, as neutras, que permanecem indiferentes (lilás, roxo e verde-claro).
COMBINAÇÃO DE CORES
O planejamento de uma combinação bem-sucedida começa com a investigação e a compreensão de seus relacionamentos. Utilizando um círculo cromático e um molde, as relações entre cores são fáceis de identificar.