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A história de...Luiz Paulo Furia

Postado por Redação Photoshop em 12/08/2009 às 16h 22min

Artista desde pequeno, influenciado pelos pais arquitetos, Luiz Paulo Furia e seu irmão, João Carlos Furia, comandam um dos estúdios de finalização e criação mais bemsucedidos do Brasil



Conte-nos um pouco de sua história.
Minha primeira oportunidade de arregaçar as mangas foi em meados de 1995. Era um estágio promovido pela Kodak, dentro do laboratório profissional, o extinto Procolor. O trabalho era voltado à manipulação e digitalização de imagens, ou seja, lidar com o Photoshop no dia-a-dia. Lembro que na época a Adobe introduziu no software a facilidade do recurso de camadas, o que vem a ser a essência de montagem digital de imagens, mas era uma novidade tremenda.
Por acasos da vida, a equipe digital formada no laboratório era chefiada por um cara de visão aguçada, Claudio Ishii, que não se limitava a apostar em meros técnicos. Era necessário aos ingressantes conhecimentos de desenho e abstração, embora eu também tenha o lado técnico: fui o primeiro Photoshop Ace do Brasil, título entregue pela Adobe, mediante prova de conhecimentos. Logo, foi uma turma legal de se conhecer e interagir. Em algumas ocasiões, também participei do programa de beta tester do Photoshop, nas versões 5, 5.5 e 6.
Alguns meses depois, mudeime para o estúdio fotográfico Freitas e Miro, onde aprendi e me enriqueci de conceitos de imagem fotográfica. A partir de lá, passei por diversos outros estúdios fotográficos, como autônomo, tais como: Amir Campos, Giacomo Favretto, Maurício Nahas, Ricardo Barcellos, Paulo Mancini… Até ter um estúdio desvinculado dos fotográficos, no início de 2004.
E estamos, eu e meu irmão, João Carlos Furia – que ilustrou no 6B estúdio de Brasílio Matsumoto –, tocando o barco até hoje.

Como nasceu seu interesse por arte e design?
Imagino que venha da educação que recebi dos meus pais, que são arquitetos. Eles sempre incentivaram a percepção e tradução do que nos rodeava.

Você é formado? Em quê?
Fiz Publicidade e Propaganda na ECA-USP, mas não concluí. Embora não me arrependa, também não incentivo quem quer que seja a deixar de terminar qualquer coisa.

Você acha a formação superior desnecessária?
Depende. O que fazemos, especificamente, garanto que ninguém vai ensinar em uma sala de aula. Isso depende muito mais de talento e experiência, mas uma formação superior pode suprir o futuro artista de ferramentas que podem ser usadas indiretamente em seu trabalho, seja cultura visual ou técnica artística. Um curso de Arquitetura, por exemplo, pode desenvolver um hábito de pensar no resultado como um conjunto de detalhes que devem seguir sempre um propósito prático – aliado ao gosto e à necessidade do cliente.
É preciso levar em conta desde o terreno de uma casa até a decoração. Assim como outros cursos podem desenvolver outras áreas que a pessoa não domina naturalmente. Pode ser a habilidade manual, a criatividade, ou até mesmo uma capacidade administrativa.
Mesmo assim, os cursos superiores funcionam como orientação. Apesar de que tudo pode ser ensinado, nem tudo pode ser aprendido facilmente. Quem tem que correr atrás é o aluno, não se aprende por osmose.

Você acha importante fazer cursos de design e ilustração?
Acredito em talento, na capacidade natural de se impressionar com o que nos rodeia e saber expressar isso em algum formato: plástico, musical, literário. Qualquer ser humano reconhece o que é bonito, mas saber absorver e traduzir isso numa obra é o diferencial de alguém talentoso. Cursos são importantes para quem precisa de regras, de fórmulas: é assim que se descobre que uma composição funciona melhor porque segue proporção áurea, que um tom refinado obedece à teoria das cores, perspectivas, e uso correto de luz e sombra. Mas não dá pra trabalhar com manual do lado; ou você interiorizou, ou não. A teoria tem que embasar a prática, não engessá-la. Ninguém se torna escritor decorando um dicionário e uma gramática. Primeiro é preciso bom gosto, depois bagagem, e então treinar, treinar e treinar. E treinar um pouco mais. Um curso pode até te direcionar para isso. Eu realmente acredito em talento, mas uma peça tem de ser, no mínimo, correta: então é bom que se façam cursos, pois não está muito difícil achar erros grosseiros publicados.

Como você define seu estilo?

Insaciável.

Quais artistas você mais admira?
Os bons. Parece redundante, mas não é. Porque artistas ruins admirados há muitos por aí.
Não consigo fazer uma lista dos bons com justiça, então, diria alguns quase óbvios: Da Vinci, Caravaggio, Van Gogh, Toulouse- Lautrec, Klimt, Schiele, Miró, Pollock, Rockwell, Manabu Mabe... certamente faltam muitos para citar. E incluiria músicos, cineastas, escritores.
Por isso digo: os bons – passados, presentes e futuros, seja lá onde ou quando aparecerem.

Onde você encontra inspiração?
Mantendo os olhos abertos.

Você trabalha 100% digital ou desenha no papel antes?
Nosso trabalho é 100% digital, mas eventualmente precisamos produzir elementos da imagem artesanalmente, desenhando ou pintando. Mas é raro.

Você já ganhou prêmios? Achaos importantes?
Já participamos de muitas campanhas premiadas, e o mérito tem de ser justamente dividido.
Para mais e para menos. Sabemos quando nossa participação foi imprescindível e quando é uma colaboração simples. Nos festivais de publicidade, uma idéia premiada pode não depender tanto do visual, mas às vezes é todo o conceito em forma de imagem.
Em concursos de fotografia, é comum que nossa intervenção, embora elaborada para ser imperceptível, seja fundamental.
Uma imagem simplesmente não existiria sem a pós-produção, tal qual os efeitos especiais de um filme. Claro que prêmios são importantes quando servem de balizadores para nosso trabalho, mas quem realmente sabe disso somos nós, já que nosso trabalho tem de ser invisível. É difícil que alguém, vendo somente a imagem final, saiba dizer o quanto nosso trabalho pesou no resultado.
Então, pra falar a verdade, não tem muita diferença prática, em nosso caso, entre ganhar ou não. Isso não mede nossa capacidade, que não pode ser devidamente reconhecida. Devem existir concursos de Photoshop mundo afora, mas, sinceramente, desconheço e não me interesso.


Qual o maior desafio para você na hora da criação?
Achar o denominador comum. É preciso adequar as necessidades às possibilidades. Isso significa adaptar a demanda do cliente, que quer atingir algo e a dificuldade em obtê-la, seja pelo material a ser trabalhado, custos ou prazos.

Como é trabalhar para si mesmo?
Nunca trabalhamos para nós mesmos… Quando temos um patrão, é mais fácil de se situar. Quando não temos, todos os nossos clientes são nossos chefes.

Quais seus principais clientes?
Não estabeleço prioridade. Existem alguns com mais volume de produção, mas trato cada job e cliente igualmente. Acho que o máximo que se pode dizer é que, hoje, existe um esforço mais ou menos focado em atender clientes fora do Brasil.

Como é sua captação de clientes?
Como preferimos qualidade em vez da quantidade, mesmo que tenhamos feito inúmeras imagens, não divulgamos abertamente nossos serviços. Em geral, o cliente vem pelo que podemos oferecer e satisfazer.

Qual trabalho seu você considera o melhor até hoje?
Gosto de vários por motivos diversos. Muitos foram verdadeiros desafios, outros são esteticamente diferenciados e para outros, ainda, tive liberdade total na decisão do resultado. Foram mais de 10 mil imagens entregues, não dá pra lembrar todas. Acho que posso citar um recente para exemplificar: a campanha da Sony, da agência para PromoSeven/ Dubai, que ganhou Bronze no Clio Awards e Prata em Cannes. Foi um desafio fabuloso, é bonita e tive muita liberdade.

Quais suas ambições daqui para a frente?
Tornar o trabalho de edição de imagens mais reconhecido, como autoral (como de fato é) e não apenas algo invisível.

Qual recurso de que você mais gosta no Photoshop?
O princípio mais básico: camadas.

O que mais te irrita no trabalho com o Photoshop?
Arquivos gigantescos.

O que ainda é muito difícil fazer com o Photoshop?

O Photoshop, em si, é muito elástico. Diria que as dificuldades surgem não por ele, mas pelo que recebemos de briefings e originais.

Qual sua dica para quem quer dominar o Photoshop?
Ler o manual. Não existem truques, macetes. É preciso entender o mecanismo de funcionamento, assim se identificam as possibilidades reais do programa e podese desenvolver um método otimizado. Talvez um conselho que eu possa dar é “seja organizado”. E a organização começa no raciocínio, visualizar o resultado final para desenhar o caminho a ser percorrido.
Não existe “vai fazendo”. É preciso saber onde se quer chegar. Photoshop é só uma ferramenta, o resultado quem determina é você.

O que você diria para quem deseja seguir seus passos?
Leia bons livros, assista a bons filmes, veja grandes obras, ouça boa música. Boa arte é alimento. Não se preocupe com os passos dos outros, dê os seus. Mas se alimente bem.






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COMENTÁRIOS
por Nilcelio Rodrigues em 10/08/2009 às 18h 34min Responder
Sem título

Adorei a materia!!! Artistas como Luiz Paulo Furia nos da mais e mais incentivo para continuar em busca de nossos sonhos e mostra assim como outros artistas que nao é preciso se encher de cursos e mais cursos, faculdades e mais faculdades para ser um grande artista basta ter perceverança, força de vontade e querer sempre querer aprender afinal de contas o photoshop é mais que uma simples ferramente e o mais puro despertar da criatividade ... Parabens Luiz Furia artista como voce merece mais que premios, merece nosso respeito e credibilidade ahh e mais uma coisa quando crescer quero ser melhor que voce!!!





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