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A história de Flávio Albino

Postado por Redação Photoshop em 25/09/2009 às 09h 00min

Estudante precoce, Flávio teve que escolher sua profissão antes da hora, mas acertou em cheio. Não demorou muito tempo para que fosse convidado a ser sócio de um dos melhores estúdios de fotografia do País.






Conte-nos um pouco da sua história.
Nasci em 06 de abril de 1972, na cidade do Rio de Janeiro. Minha mãe é professora e meu pai trabalhou como contador e depois com venda de livros. Tenho um irmão mais velho e uma irmã mais nova. Comecei a estudar muito cedo, pois minha mãe é professora primária. Ela me alfabetizou e aos 4 anos já estava na 1ª série. Prestei meu 1º vestibular quando terminei o 2º grau aos 15 anos apenas. Não sei bem se isso foi benéfico pra mim, já que tive que decidir muito cedo o que seria da vida. Paralelo a isso, eu era nadador (de competição) e estava treinando bastante. Nadei toda minha vida pelo Vasco e encerrei minha carreira em 1998 quando já não conseguia mais conciliar trabalho e treinamentos puxados.

Como nasceu seu interesse pela arte e pelo design?
Desde pequeno adorava desenhar e, mais tarde, algo que me influenciou bastante: as capas de disco de Rock e Heavy Metal. Eu achava o máximo e decidi me tornar designer para realizar esse sonho.

Você é formado? Qual foi o curso?
Sim, sou formado em Desenho Industrial/Comunicação Visual pela PUC-Rio.

Você acha a formação superior desnecessária?
Não acho necessária, mas ajuda. A faculdade dá uma boa cultura geral. Acho importante a História da Arte, onde temos contato com os grandes artistas, Teoria da Arte, Estética e muitas outras disciplinas que ajudam na formação profissional. O que mais se vê atualmente são pessoas fazendo cursos de um software, se tornando técnicos e não artistas. Mas também existem os talentos natos que não precisam de muita teoria. O ideal é que se una o artista com o técnico em um só profissional.

Você acha importante fazer cursos de design/ilustração?
Acho que todo estudo é importante e contribui sempre. Visões distintas são sempre importantes. Um ilustrador, por exemplo, tem uma visão diferente de um designer. Um designer ilustrador já tem outra visão, que agrega as duas. Quanto mais cursos você faz, mais conhecimento se adquire e ajuda na formação profissional.

Como você define o seu estilo?
Essa pergunta é difícil. Acho que vou cair naquele clichê de dizer que não gostaria de rótulos. Na Platinum, o estilo é a mistura dos três sócios (o Léo, o Luciano e eu). Meu estilo pessoal definiria como sombrio, agressivo e provocante. Tento fazer algo que prenda a atenção, seja marcante e gere algum tipo de reação nas pessoas que entram em contato com a imagem. Essas reações podem ser das mais variadas, positivas ou até mesmo negativas, dependendo da minha intenção no trabalho. Os temas, a palheta de cor, a luz, tudo é bem pensado. Tento imprimir características similares, formando uma identidade nas minhas imagens. Tem gente que não gosta de ser caracterizado por um estilo. Eu gosto disso, acho importante. O que não quer dizer que eu vá me restringir a um perfil. Arte é sentimento e eu vou fazer “dark art”, enquanto eu sentir que é “dark art”. Se amanhã eu decidir que quero fazer borboletas coloridas, vou fazer borboletas coloridas.

Quais os artistas que você mais admira?
Gosto muito dos pintores românticos por causa da luz que eles imprimiam nas imagens. Alguns dos meus preferidos são: Delacroix, William Turner e Girodet. Também gosto muito de Goya! Entre os artistas contemporâneos, admiro Alessandro Bavari, Gigger, Kris Kuksi e Dereck Higgs (que fazia as capas do Iron Maiden). Teve uma capa do Iron Maiden do disco “Somewhere in time” que, além de ter um tema de Heavy Metal, era uma ilustração muito complexa e cheia de detalhes. Eu ficava escutando o disco e procurando coisas escondidas, brincadeiras etc. Isso influenciou não só meu trabalho pessoal como o da Platinum como um todo. Nas imagens que faço, gosto de colocar detalhes que as pessoas vão descobrindo conforme elas vão analisando. É preciso prestar atenção.







Onde você acha inspiração?
Em tudo o que vivencio, assisto, leio e presencio. Uma coisa que ajuda muito é referência. Sempre que vou começar algum trabalho pesquiso e estudo bastante sobre o tema. Tento reunir o máximo de referências possíveis, até pra saber o que já foi e o que ainda não foi feito. Mas já aconteceu de eu olhar para uma coisa e pensar “isso daria uma boa imagem”. Como na minha imagem “Memórias de Infância”. Vi uma moto com uma cruz e umas cabeças de bonecos fincadas. Tirei uma foto daquilo e fiz outras fotos com bonecas velhas, um Fofão, o Baby da Família Dinossauro etc. As pessoas veem a imagem e só depois de um tempo percebem que é o Fofão e o Baby. Tem outra imagem que tem um Zé Colméia enforcado e a maioria das pessoas nem percebe!

Você trabalha 100% digital ou desenha no papel antes?
Geralmente vou direto pro computador. Não desenho num papel faz um bom tempo.

Como você entrou para o mundo da fotografia/ilustração/publicidade?
Fui trabalhar no estúdio de fotografia do Milton Montenegro, fazendo slides pra um médico. Foi lá onde conheci o Leonardo Vilela, meu atual sócio na Platinum. Depois fui trabalhar como designer na parte de criação da Z-Movie, uma empresa que fazia títulos em CD-Rom (games, instituicionais etc), mas nunca perdi contato com o Léo. Uma vez, fui visitar seu estúdio (Platinum) e conhecer um pouco mais do seu trabalho, já que ele utilizava o Photoshop na composição de fotos. Quando vi aquilo, pensei: “eu sei fazer isso!” Então comecei a fazer minhas próprias manipulações e sempre que podia mostrava a ele. Decidi fazer uma imagem realista de uma situação completamente impossível. Fiz a capa do CD demo da banda de Heavy Metal Allegro, que eram amigos meus. Tive a idéia de fazer uma frangueira de padaria mas ao invés de frangos, teriam fetos! Chamei um fotógrafo amigo meu, Dempsey Gaspar, para fazer as fotos. Fomos à faculdade de medicina UNIRio e conseguimos fotografar um feto perfeito. Depois fotografamos a frangueira e no photoshop substituí os frangos por fetos. Na verdade, a maior dificuldade que tive para construir essa imagem nem foi no Photoshop, foi suportar o cheiro do anatômico da faculdade! Para a época, o resultado ficou muito legal e acho que foi aí que comecei a me ver como um artista digital. O Léo então me chamou pra fazer um trabalho, depois outro e depois outro. Não saía mais de lá. Acabei virando sócio da Platinum no ano seguinte.








Você já ganhou prêmios? Acha que eles são importantes?
Sim, com a Platinum. Alguns dos mais importantes foram: » Cinco Leões no festival de Cannes; » Duas medalhas de ouro no EPICA (European Premier Creative Awards); » Três prêmios Clio no NY Festival; » Três premiações no London Festival; » Ouro, Prata e Bronze no CCP (Clube de Criação de Portugal) em 2 anos consecutivos; » Premio Pix Digital 2005 e 2008 (Revista PDN Nova York); » Masterpiece no livro Exposé (o mais conceituado no ramo de CGI). Além disso, temos uma imagem no acervo permanente no Louvre e algumas das minhas imagens pessoais foram expostas no Moca (Museum of Computer Arts) em NY. Sim, acho que os prêmios ajudam no reconhecimento do seu trabalho. Além disso, tem a realização pessoal que faz com que você sempre busque mais. As pessoas começam a te respeitar e admirar, o que também é bem legal. O sucesso é importante e acaba abrindo portas em novos mercados. Muito do nosso êxito no exterior é devido aos prêmios internacionais que recebemos.

Qual o maior desafio para você na hora da criação?
É fazer uma coisa diferente em cada trabalho e sempre tentar me superar.

No que você está trabalhando atualmente?
Acabamos de fazer um trabalho para Itália (Enel Energy supplier), outro para Espanha e estamos na concorrência para fazermos as imagens da campanha do Photoshop CS4. Acaba sobrando pouco tempo para o meu trabalho pessoal, mas não estou reclamando. Gosto de trabalhar na Platinum e também me realizo artisticamente. Ao contrário do que se pensa, na publicidade existe espaço para contribuição artística. Não nos limitamos a executar um layout, sempre damos sugestões de ângulos, luz, idéias e detalhes para a imagem. Em uma imagem da campanha para a Rexona (que fizemos há um tempo atrás), eles queriam uma mão robótica mas queriam que ela tivesse vida. Então, dei a sugestão de que a mão fosse sensível ao toque e ela acendia quando encostava no produto. Aquilo acabou virando uma marca registrada de toda campanha, os caras adoraram. Nós ganhamos nosso primeiro Leão de Cannes com uma imagem sem layout. O diretor de arte nos ligou e disse que tinha uma idéia de colocar um neném em um mar de óleo para um anúncio do Greenpeace. Era referente a um desastre ecológico com vazamento de óleo aqui no Brasil. Acabamos dando a nossa interpretação do que ele tinha em mente. Acredito que isso seja uma das razões da Platinum estar tão requisitada atualmente. Não sei se isso é uma tendência do mercado, mas com certeza é uma característica nossa.










Como é trabalhar para você mesmo?

É um engano pensar que trabalhamos para nós mesmos. Temos os clientes que acabam funcionando como nossos chefes. É claro que não tenho alguém me cobrando horário de entrada e saída mas tem Art Buyer de agência que liga de cinco em cinco minutos perguntando se a imagem está pronta. E se ficar ruim ou se não cumprir o prazo, eles vão cobrar de mim, não da minha equipe. É meu nome que está em jogo. A responsabilidade é minha.

Como nasceu a sua empresa?
A Platinum começou em 95 como estúdio de fotografia do Leonardo Vilela. Ele já manipulava mas queria dar mais ênfase à pósprodução. Em 97 entrei como sócio da Platinum encarregado dessa área. Em 2001 o Luciano Honorato assumiu a parte de 3D/ CGI.

Como foi o crescimento da sua empresa?
Nessa área tem dois tipos de crescimento: o crescimento do volume de trabalho e o crescimento da equipe. O crescimento do trabalho aconteceu naturalmente, os prêmios contribuíram para abertura de novos mercados etc. O grande problema de você crescer nesse ramo artístico é você virar uma indústria de imagens. Nós somos um estúdio de imagem e toda qualidade está relacionada ao talento das pessoas que trabalham nessa imagem. É muito difícil encontrar um profissional que se encaixe no perfil da Platinum. É difícil crescer sem perder a qualidade, se for para ser assim, preferimos não ser tão grandes. Costumamos dizer na Platinum que somos como um luthier. Não dá pra fazer o instrumento em larga escala, é a mão do artista que faz a diferença, o carinho que ele tem pelo instrumento, a dedicação com que ele se empenha para tirar o som perfeito.








A empresa mudou de foco?
Não acho que mudamos de foco, acho que evoluímos. A Platinum deixou de ser um estúdio fotográfico para ser um estúdio de concepção de imagem agregando manipulação e 3D/CGI.

Quais os seus principais clientes?
Trabalhamos para agências como: TBWA (Paris, Lisboa, Emirados Árabes), FCB (Brasil, Nova York, Paris), LOWE (Nova York, Colômbia, Brasil), MCCANN (Brasil, Espanha, Portugal), SAATCHI & SAATCHI (Nova York, Rússia e Itália), DPZ, YOUNG &RUBICAN, DM9, ÁFRICA, NBS, ALMAP/BBDO etc… fazendo trabalhos para clientes como: Audi, Chrysler, Fiat, Honda, Peugeot, Nissan, Coca-cola, Pepsi, Rexona, Amstel, Oi, Tam, Bradesco, Chivas, Chase etc.

Como funciona sua captação de clientes?
No exterior é feita pelos agentes e uma coisa que também funciona é o site. Mas o que realmente dá resultado é o boca-a-boca. Um diretor de arte ou Art Buyer que trabalha com a gente e indica para outro etc. Atualmente estou morando em NY para justamente ajudar nessa captação de clientes por aqui.

Qual trabalho seu você considera o melhor até hoje?
É difi cil você dizer que gosta mais de um ou de outro trabalho. Geralmente tenho a tendência de gostar do último que eu faço. Adorei a imagem que fizemos para Itália, o Dom Quixote. Também acho bem marcantes alguns trabalhos como o da Unimed, a vela de água e Coca Zero.

Quais as suas ambições daqui para frente?
Ambição a gente sempre tem mas não gosto de planejar nada para o futuro. Gosto de trabalhar bem e deixar acontecer naturalmente.









Qual o recurso que você mais gosta no Photoshop?
[Ctrl/Cmd] + [S]! (risos) Já me poupou tanto trabalho… além disso, é o comando final de toda imagem. (mais risos)

O que mais te irrita no trabalho com o Photoshop?
Eu me irrito quando ele dá aquela parada para ficar pensando e eu estou com o prazo apertado para entregar o trabalho...

O que ainda é muito difícil fazer com o Photoshop?
Recorte de cabelo, por mais que o programa crie novas ferramentas de seleção ainda é uma tarefa árdua para ficar bem feito. A melhor ferramenta ainda é o bom e velho estagiário! (risos)

Qual sua dica para quem quer dominar o Photoshop?
Photoshop se aprende mexendo e testando muito. Até hoje eu testo e descubro coisas novas. Os livros te ensinam técnicas que provavelmente os autores desenvolveram, mas o Photoshop tem várias maneiras de se fazer a mesma coisa. Desenvolva a sua!

O que você diria para quem quer seguir seus passos?
Trabalhe e estude MUITO, seja muito focado e queira sempre se superar. Não adianta você se dedicar a uma coisa que você não gosta. Quando existe paixão, tudo isso vem naturalmente.





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