A ilustradora Kim Herbst explica como consegue incorporar seu amor pelas mídias tradicionais em seu trabalho digital no Photoshop
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A ilustradora de São Francisco, Kim Herbst, evitava o Photoshop quando estudava métodos artísticos tradicionais na faculdade. Mas, influenciada pelas opiniões de outras pessoas, transferiu seu estilo para o reino digital, e nunca mais olhou para trás. Logo, o Photoshop tornou-se seu programa predileto e, aqui, ela nos conta como transforma uma tela em branco usando texturas e elementos desenhados à mão. Também vamos descobrir qual o assunto que mais a interessa e quais ferramentas e ajustes do Photoshop ela gosta de usar para criar sua ousada e atraente arte digital.
Quanto de seu dia é dedicado ao Photoshop?
Se forem ilustrações, o dia inteiro. Atualmente, faço minhas ilustrações 100% no computador. Algumas demoram alguns dias, e outras, um dia inteiro. Na verdade, eu nunca quis usar o Photoshop quando estava na faculdade. Recebi uma educação tradicional de ilustradora, que consistia apenas em desenho e pintura. Devido a meu estilo, as pessoas sugeriam que eu experimentasse o método digital. No começo, eu achava que era trapaça, mas, na verdade, não é. Trata-se de algo indispensável para mim.
Como você começa uma ilustração no Photoshop?
Sempre com um esboço. Às vezes em papel de verdade, porque é mais rápido e direto. Antes eu desenhava tudo à mão e entintava, escaneando, em seguida, para o Photoshop, mas graças à tablet Wacom, não preciso mais fazer isso. Começo com um esboço no Photoshop, sempre em preto com um pincel redondo comum a 40% de opacidade, em uma só camada. O nome sempre é “Esboço”, eu sou como um reloginho. Tiro fotos ou procuro referências fotográficas para apoiar minha composição. Daí, começo a desenhar as linhas definitivas, brincando com cores e fazendo montes de ajustes no final. Eles vêm por cima de tudo. Acho que se eu não os aplicar, meu trabalho fica parecendo muito mecânico e nada orgânico. É o lado tradicional em mim que deseja que o trabalho pareça ser pintado.
O desenho no Photoshop veio naturalmente para você?
Demorei a começar a desenhar. Forcei-me a usar uma tablet Wacom. Tenho uma pequena e a evitei por um ano. Eu tinha um laptop e quebrei o touchpad, daí, fui forçada a usar a tablet como mouse. Acabei aprendendo bem rápido e procurava dicas aqui e ali. Uso-a principalmente para desenhar e pintar no programa, e isso funciona para mim.
Qual foi sua ilustração mais memorável?
Deve ser a mais recente, minha peça “German For Autumn”, que mostra uma menina de cabelo rosa e árvores, e ela enterra as unhas em uma maçã. Era uma peça pessoal, a transição de uma estação em outra, a entrada no outono. Fiquei surpresa, porque ela foi escolhida para a capa do Boston’s Weekly Dig, o que não tinha muito a ver. O diretor de arte me ligou, e a cidade inteira pôde ver minha imagem em certos jornais.
Muitas de suas ilustrações têm uma
pessoa como ponto central – existe uma razão particular?
Acho que pessoas são o tema mais interessante que existe. Elas têm muitas facetas que podem ser usadas ou manipuladas, em certo sentido. São pessoas que verão minhas peças, e quero que elas mergulhem em meu trabalho e tenham sensações. O mais gratificante, para mim, é ver que outra pessoa pode identificar-se com a personagem em minha ilustração.
Soubemos que você tem ascendência chinesa – isso influenciou seu estilo?
Isso aparece principalmente nas pinturas de paisagem. Elas sempre têm aquela perspectiva meio estranha que não é uma perspectiva de verdade, com as coisas meio flutuando. Acho que, para mim, é o mais interessante e dinâmico. Parece que a caligrafia (ouvi as histórias de quando minha mãe fazia aulas) é a coisa mais ingrata, você pousa o pincel e espera pelo melhor. É muito bonito quando a coisa flui.
Quais ferramentas, ajustes ou paletas do Photoshop você mais usa?
Definitivamente, a Lasso, pois em meu estilo de ilustração as linhas estão todas ali; daí é caso de preencher os espaços com cores. Adoro a mesclagem Multiply para as sombras, e ela é bem simples. Para as texturas que sobreponho em minhas ilustrações, meu método favorito é criar uma camada Overlay e reduzir a opacidade a um mínimo. Adoro ajustar níveis e contraste e, no Photoshop, é uma delícia arrumar a matiz e a saturação das figuras. Isso expandiu muito minha paleta de cores. Ver as coisas por um momento, ver como elas ficariam se fossem azuis e não vermelhas. É maravilhoso para experimentar sem se comprometer. É divertido, porque raramente uso a ferramenta Pen. Se preciso desenhar, desenho na munheca.
Dicas de Photoshop da Kim
Escaneie um monte de texturas ou fotos. Papel, concreto, gesso, o que encontrar... Adicione-as como camadas Overlay sobre sua pintura para adquirir uma textura de superfície para o chão, objetos, roupas... qualquer coisa!
Experimente com efeitos de camadas, mas não exagere! Acredito que a moderação é o grande segredo. Não há nada pior que re exos de lentes em toda parte quando não há razão alguma para que eles estejam ali.
Seja superorganizado. Mantenha cores, ou linhas de objetos, fundo e primeiro plano em camadas separadas ou mesmo grupos separados. Muitas vezes arrependi-me de desenhar um monte de objetos em uma só camada quando precisei mexer em um deles sem alterar os outros.
Brinque com os níveis de ajuste das cores para experimentar, além das configurações das camadas, como Multiply ou Overlay.
Experimente ajustes de cores para encontrar novas paletas em que você não pensara antes. Você pode ampliar seu estilo ou descobrir um método mais confortável.