Você já tem tudo o que precisa para fazer fotos com profundidade.
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A fotografia 3D é uma nova fronteira que esta se abrindo agora na fotografia? Não! Assim como os filmes 3D já tinham tido um período de moda há 60 anos, a fotografia 3D - ou melhor dizendo, estereoscópica (baseada em uma imagem separada para cada olho) -, foi também objeto de um modismo, há aproximadamente cem anos. O renascimento dos filmes em 3D, reforçado pelo inédito lançamento de aparelhos de televisão 3D, puxou junto a produção de novas fotos estereoscópicas.
Você pode experimentar a técnica sem precisar de uma câmera dedicada como as da série Fuji FinePix Real 3D. Essas câmeras contêm duas lentes e dois sensores, capturando duas imagens separadas ao mesmo tempo: uma correspondente ao olho esquerdo e outra ao olho direito. A paralaxe (diferença de ângulo de visualização) entre as duas imagens é o que fornece a sensação de profundidade ao cérebro do espectador.
Uma alternativa lógica é obter um par de câmeras comuns idênticas, montá-las lado a lado e instalar um disparador modificado para acioná-las ao mesmo tempo. É possível, mas complicado de fazer. Todavia, é essa a única maneira de tirar fotos 3D sempre perfeitas de cenas contendo objetos em movimento, como pessoas, carros, animais etc.
A solução que está mais ao alcance de todos nós é simplesmente tirar duas fotos em rápida sucessão, mudando a posição da câmera entre as duas capturas. Assim, produzimos duas imagens, uma para o olho esquerdo e outra para o olho direito. Somente os objetos que não se moverem entre as duas exposições serão corretamente representados por este método; os que se moverem aparecerão como fantasmas, duplicados na imagem aparente. Não deixa de ser um efeito interessante, mas não é isso o que queremos. Assim, a fotografia 3D com imagens sequenciais deve contornar essa limitação, seja tirando a sucessão de fotos muito rapidamente, ou evitando assuntos que se movam muito.
Outro aspecto fundamental é a chamada linha de base, que é distância entre os centros ópticos das duas fotos. O ponto de partida “seguro” é uma distância correspondente à que existe entre nossos olhos, de aproximadamente 7 centímetros em média. Você pode separar mais as imagens para registrar objetos distantes, reforçando assim a tridimensionalidade. Para objetos muito próximos, a distância pode ser menor que 7 cm, produzindo a ilusão de que os objetos são maiores que no mundo real.
Visualização sem óculos
Você vai encontrar dois tipos de estereogramas para visualização sem óculos: convergente e divergente. Ambos são bastante usados por cientistas para visualizar na tela modelos de moléculas complexas, por exemplo. Por não precisar de nenhum tipo de decodificação externa, é um método bem prático, embora o layout visual formado por pares de imagens possa não parecer muito atraente ao olho destreinado. Além disso, as imagens do estereograma não podem cobrir um ângulo muito amplo de lado a lado, o que limita o tamanho pelo qual podem ser apresentadas.
Para a maioria das pessoas, provavelmente a visualização divergente é a mais fácil de aprender. Nela, a imagem esquerda é apresentada do lado esquerdo e a direita do lado direito. Em vez de fazer os olhos convergirem sobre as imagens como fariam normalmente, eles devem apontar para mais longe, mantendo o foco na distância normal da imagem. Para treinar essa visualização, primeiro você deixa os olhos fitarem o infinito e então encara o estereograma, mas sem permitir que os olhos se “encontrem”. Você deixa as duas imagens do estereograma formarem um trio: uma imagem central tridimensional cercada por duas sub-imagens laterais, que você deve ignorar. A sensação é de ela estar mais perto que o normal. Experimente com a imagem abaixo, afastando-se do monitor caso necessário para 'pegar o jeito' da visualização.
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Na visualização convergente, é o contrário: a imagem direita fica à esquerda e vice-versa. Você faz os olhos convergirem muito mais que o normal, como se estivesse tentando ver um objeto mais próximo que na realidade. Para treinar essa visualização, ponha um dedo a meia distância entre seus olhos e o estereograma e, fitando-o, faça com que o estereograma pareça formado de três imagens desfocadas. Então, tire o dedo da frente aos poucos e deixe os olhos focalizarem na imagem central do estereograma. Você verá a imagem nitidamente, com a sensação de ela estar mais longe que o normal.
Estes métodos, especialmente o convergente, causam desconforto por forçarem bastante a vista, por isso não abuse deles no começo. Felizmente, pessoas habituadas ao seu uso ao longo décadas garantem que eles não oferecem o mínimo perigo aos olhos.