Uma câmera reflex digital não é só coisa de profissional: é a opção natural para qualquer pessoa que deseja dar um passo além na fotografia. Rod Lawton explica como fazer a escolha
O mercado das DSLRs não é tão selvagem quanto o das compactas digitais, no qual existem literalmente dezenas de modelos a escolher. Mas ainda é difícil decidir o quanto você precisa gastar, de quais recursos você necessita ou a marca e o modelo. A finalidade do Fique Por Dentro desta edição é dar uma visão básica e geral das tecnologias das câmeras reflex digitais, no que elas são usadas e o que você adquire de fato quando paga um pouco a mais por alguma delas.
Existem seis marcas principais de DSLR no mundo, todas elas japonesas: Canon, Nikon, Olympus, Panasonic, Sony e Pentax. Vamos apresentar cada uma.
A Canon é a atual líder do mercado em volume de negócio. Ela produz uma gama de DSLRs que vai desde modelos para iniciantes, como a Rebel XS (EOS 1000D), até a lendária profissional EOS 1Ds. Além de atender a todo tipo de usuário (veja nossa tabela virando a página), a Canon produz modelos com dois tamanhos diferentes de sensor. As câmeras com sensores de tamanho APS-C (formato EF-S, no linguajar da Canon) são para uso geral. As de sensores maiores, chamados full-frame (formato EF), são para o mercado profissional. Há uma razoável sobreposição entre as categorias entusiasta e profissional dessas duas linhas.
A Nikon é grande rival histórica da Canon. Assim como a Canon, a Nikon produz câmeras com dois tamanhos de sensor diferentes. Suas câmeras APS-C (que eles chamam de formato DX) são voltadas a um público amplo, que vai desde iniciantes até profissionais. As câmeras full-frame (formato FX) são profissionais.
A Olympus usa um formato de sensor denominado Four Thirds (Quatro Terços), um pouco menor que o formato APS-C. Tecnicamente, isso a deixaria em desvantagem, especialmente em relação às câmeras fullframe, já que a qualidade de imagem e o desempenho da sensibilidade ISO são diretamente vinculados ao tamanho do sensor. Mas na prática a diferença é bem pequena nos modelos recentes. A linha da Olympus é enxuta, mas inclui modelos intermediários, entusiastas e profissionais.
Juntamente com a Olympus, a Panasonic – que usa em suas câmeras a marca Lumix – usa o formato Four Thirds. As duas empresas compartilham muita da tecnologia desse formato. Porém, os produtos são bastante diferentes. A Panasonic parece ter se dedicado apenas ao formato Four Thirds , com câmeras que por fora parecem ser SLRs, com a “corcova” característica acima da objetiva, mas que não possuem o espelho interno. Tecnicamente, portanto, não são SLRs; mas nós as incluímos na lista porque funcionam da mesma maneira. A Panasonic tem dois modelos muito interessantes: a Lumix G1, que é como uma DSLR normal, mas com um visor eletrônico, e a GH1, uma versão melhorada que pode gravar vídeo Full HD. Ela é dirigida aos fotógrafos que fazem vídeo, embora nem a GH1 nem a G1 possam ser consideradas no mesmo nível das DSLRs profissionais que só fazem fotos.
A Pentax já foi um dos grandes nomes da fotografia, mas recentemente foi eclipsada pela Canon e pela Nikon e sofre por ter linhas de câmeras confusas e hardware menos sofisticado. Porém, dois novos modelos são de grande interesse. A K-x foi feita para iniciantes, mas tem tantos recursos que poderá ser atraente para usuários mais avançados. Por sua vez, a rápida e robusta K-7 é a aposta da Pentax no mercado profissional. A Pentax produz apenas DSLRs com o formato de sensor APS-C e não tem modelos full-frame.
APS-C versus full-frame
O sensor APS-C é chamado assim porque sua área é quase a mesma do filme APS, medindo cerca de 24x18mm ou pouco menos. Isso dá cerca de metade da área de um negativo de filme de 35mm. Todavia, um filme de 35mm teria dificuldades para alcançar a qualidade de imagem que os sensores digitais de hoje oferecem. A maioria das DSLRs usa esse tamanho de sensor, mas existem exceções. As câmeras Quatro Terços da Panasonic e da Olympus têm um sensor menor; a Canon EOS 1D Mark III tem um sensor intermediário entre o APS-C e o full-frame. Os sensores full-frame são do mesmo tamanho do filme de 35mm, com 36x24mm. Possuem qualidade significativamente maior. Porém, câmeras full-frame são ferramentas profissionais caríssimas, fora do orçamento dos fotógrafos amadores.
O tamanho do sensor afeta o ângulo de cobertura das lentes e, portanto, seu comprimento focal aparente. É preciso aplicar um “fator de corte” de 1,6x para achar o comprimento focal equivalente em 35mm de uma objetiva em uma câmera APS-C, e 2x para uma objetiva Quatro Terços. Nas objetivas full-frame, o comprimento focal equivalente é igual ao real.
a Nikon D3X é uma câmera full-frame (note o tamanho de espelho maior em comparação com o de uma DSLR comum). É um significativo aumento de qualidade de imagem em relação a uma câmera no formato apS-C, mas o preço acompanha a qualidade