Hoje em dia, não é preciso nem pressionar o disparador para tirar uma foto de seus amigos ou parentes. Basta que eles sorriam ou não pisquem, e clic – a câmera em suas mãos tira a foto sem qualquer intervenção sua. O que aconteceu à contagem do temporizador e ao alegre “digam xis”? Com cada novo recurso que faz disparar o coração dos apaixonados por tecnologia, surgem inevitavelmente bobagens gratuitas que não faziam falta.
Provavelmente o novo recurso mais bobo é a Detecção de Animais. A Fujifilm vende isso como uma
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novidade genial, mas será que existe razão para se orgulhar dela? Não é tão diferente da popular (e realmente útil) Detecção de Rosto, mas não é porque uma coisa é tecnologicamente possível que deva obrigatoriamente ser produzida. Como o nome já diz, a câmera detecta o seu cão ou gato (por enquanto, peixes e pássaros não contam) e ajusta automaticamente o foco e a exposição para tirar uma bela foto de seu amigo peludo. Porém, o fabricante confessa haver dificuldades na detecção. Nem se incomode caso seu bicho tenha manchas escuras; pelo inteiramente escuro; focinho fino; focinho enrugado; pelos caindo sobre os olhos... ou simplesmente, se o seu bicho estiver constantemente em movimento. Que muito provavelmente será o caso! A Panasonic também oferece algo para nossos companheiros de quatro patas; suas câmeras Lumix vêm com um Pet Mode. Esta função serve para registrar a idade de seu animal em cada foto, baseando-se na data de nascimento que você programou. (O Baby Mode faz o mesmo com seu filho.)
Será que podemos dizer que, assim como a Detecção de Piscadas e de Sorrisos, a Detecção de Animais é apenas mais uma firula para diluir a inteligência das câmeras digitais? Pode ser legal para os maníacos por gadgets, mas a criação de um recurso que remove do fotógrafo o poder de acionar o disparador é o primeiro passo para o nascimento de uma geração de clicadores absolutamente acéfalos. É quase chocante encontrar esse tipo de recurso em DSLRs, que são voltadas para entusiastas – justamente o tipo de pessoa que ambiciona aprimorar suas habilidades, não atrofiá-las.
A vaidade tornou-se um componente importante dos recursos. Veja, por exemplo, o modo Beauty Shot da Samsung, que transforma meros mortais cheios de rugas e espinhas em personagens do mundo encantado da Barbie. Pode ser uma maneira de vencer a resistência de quem detesta aparecer em fotos, mas o recurso borra as áreas de pele no retrato de maneira nada sutil. No mesmo espírito, há o auto-explicativo Modo Emagrecedor da Pentax e da HP, e a Canon ostenta efeitos dedicados a escurecer e clarear a pele.
Em suma, não há mais limite racional para a recriação da realidade dentro das câmeras. Isso acabou por gerar a preocupação de que as fotografias não possam mais ser usadas como provas confiáveis em um processo judicial, por exemplo. Todos esses truques, disponíveis em câmeras para consumidores leigos, poderão solapar a credibilidade das fotos, que é o fundamento do fotojornalismo.
Todavia, nem todos os recursos de edição das câmeras podem ser considerados fúteis. A Olympus e a Canon, entre outras, têm filtros artísticos que alteram os tons de uma imagem, seja para monocromia, sépia ou um vibrante efeito posterizado. Talvez essas funções não sejam para profissionais, mas para quem não possui à mão um computador com programa de edição, a ferramenta é útil.
A forma de visualizar essas imagens também é inovadora. A ST500 da Samsung tem duas telas LCD, uma na frente e outra atrás. Isso permite aos usuários compor melhor autorretratos sem usar espelhos. Embora facilitar o narcisismo seja duvidoso em termos de utilidade, trata-se de uma ideia inteligente que sem dúvida se destaca em um mercado massificado.
Um recurso ainda mais prático são as telas articuladas, oferecidas por grandes nomes como Sony, Panasonic e Nikon. As oportunidades de uso são mais ricas e a composição das cenas pode ser feita com mais exatidão. A Sony diz: “Erga os braços e fotografe acima da multidão para capturar a ação em shows e eventos esportivos. Ou abaixe-os e veja o mundo sob uma perspectiva bem diferente.” Esse recurso não é útil apenas em ângulos complicados; ele também ajuda na hora de fazer vídeos. O LCD inclinável fica à disposição para filmagens a partir de ângulos mais ousados.
A qualidade dos vídeos e fotos também é beneficiada pela Estabilização Óptica de Imagem, essencial para imagens capturadas com a câmera na mão, principalmente sob baixa luz ou com zoom. Ele consiste em detectar o tremor e mover os elementos internos da objetiva na direção contrária, cancelando o movimento na imagem. Não confunda esse recurso com a Estabilização Digital, que simplesmente aumenta a sensibilidade ISO para poder acelerar o obturador, introduzindo ruído e diminuindo a qualidade da imagem. Se sua câmera possuir Estabilização Dupla, verifique se existe a opção de controlar o ISO manualmente.