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Como funciona a fotografia 3D

Postado por Redação Photoshop em 01/08/2011 às 19h 39min

As imagens tridimensionais vieram para redefiniro mundo da fotografia? Conheça as novas tecnologias e decida.



 Por Rod Lawton


A fotografia 3D é a tentativa de capturar e retratar o mundo em três dimensões e criar uma impressão de profundidade que faz parecer que você está olhando “na” imagem ao invés de olhar “para” ela. O assunto chegou às manchetes da imprensa fotográfica no começo de 2010, por causa da câmera Real 3D W1 da Fujifilm. Mas embora essa tenha sido a primeira câmera digital a capturar imagens tridimensionais, não se trata da primeira câmera 3D. Na verdade a fotografia 3D, ou estereoscópica, remonta aos primeiros tempos da arte fotográfica, no século 19.

Porém, é bom deixar claro desde já que essa fotografia 3D não é a mesma coisa que as imagens geradas pelos programas de modelagem 3D, nem as obtidas pelos scanners 3D aplicados na medicina. Estas técnicas criam objetos tridimensionais genuínos (ou “virtuais”, já que não têm existência concreta no mundo físico), que podem ser rotacionados e examinados de qualquer ângulo. A fotografia 3D lança mão de uma técnica mais simples. Ela não tenta capturar uma imagem completa em três dimensões. Registra duas versões de uma cena, correspondentes ao que seri a visto pelo olho esquerdo e pelo direito do observador. Essa visão “binocular” cria a ilusão de profundidade e funciona graças ao fenômeno da paralaxe, que é a diferença entre imagens de uma mesma cena captadas de posições ligeiramente distintas. Como os olhos esquerdo e direito veem a cena de duas posições diferentes, os objetos ocupam posições levemente diferentes nas duas imagens, e essa diferença é relacionada à distância entre cada objeto e cada olho. O que você “vê” é uma imagem única que seu cérebro monta a partir das imagens separadas enviadas pelo olho esquerdo e direito, usando as pequenas diferenças na paralaxe para extrair a impressão de profundidade. As fabricantes de câmeras usam o termo “3D” em um sentido bastante amplo, para indicar a sensação de três dimensões e não uma cena tridimensional verdadeira, dentro da qual você pudesse se mover. Estritamente falando, trata-se da ressurreição da antiga fotografia estereoscópica, embora o cérebro seja tão bom em recriar a ilusão de profundidade com fotos estereoscópicas que a imagem fica parecendo tridimensional de verdade.

O processo estereoscópico/3D tem duas partes. A primeira é a captura de imagens estereoscópicas em pares, e a segunda é exibi-las de forma que nosso cérebro possa reuni-las em uma única imagem tridimensional na mente. A primeira parte é relativamente fácil. Diversos fabricantes já fizeram câmeras estereoscópicas, que consistem, geralmente, em duas objetivas lado a lado, criando duas imagens “gêmeas” em pedaços de filme separados. Um método alternativo é usar uma câmera só, tirando duas
fotos seguidas e movendo a câmera lateralmente entre uma foto e a outra. Esse método da exposição em pares é simples e pode ser feito com qualquer câmera, mas não serve para objetos em movimento. Quaisquer erros na composição podem causar problemas. Por exemplo, se houver um carro ou uma árvore na borda de uma imagem, mas não na outra, eles aparecerão como uma “meia-imagem” fantasma na foto combinada.

A câmera FinePìx W1 da Fujifilm opta pelo método mais sofisticado, combinando duas câmeras em um único corpo. Quando o disparador é pressionado, ambas as câmeras registram a mesma imagem de duas posições ligeiramente diferentes. Essas duas imagens são combinadas para produzir a imagem estereoscópica, salva em um formato de arquivo proprietário). Um atrativo adicional da Fujifilm é que ela pode agir como duas câmeras independentes para imagens bidimensionais; por exemplo, para tirar duas fotos simultaneamente a diferentes ISOs ou com ajustes de zoom diferentes.

Mas a criação das imagens estereoscópicas não é tão direto assim. Há muito tempo, descobriu-se que a linha-base estereoscópica (a distância entre os dois pontos de vista) deve ser alterada de acordo com a distância entre as figuras. Quanto mais longe elas estiverem, mais ampla dever ser a linha-base para fazêlas parecer estar a distâncias diferentes. Ao fotografar imagens estereoscópicas manualmente, movendo a câmera entre as exposições, isso não é difícil de fazer (embora os cálculos sejam complicados). Embora uma câmera com lentes gêmeas facilite a obtenção de imagens estereoscópicas, a configuração fica restrita a uma distância fixa de linha-base. De fato, a Fujifilm sugere que os assuntos devem estar a uma distância de 3 a 5 metros da câmera; que as figuras distantes (paisagens, por exemplo) não mostrarão um efeito 3D notável; e que imagens em close não são recomendadas, porque o efeito de paralaxe seria forte demais.

A paralaxe é essencial na fotografia estereoscópica, e não é apenas a distância entre as lentes que importa, mas também sua convergência, fazendo com que as duas imagens do assunto se sobreponham. Na fotografia estereoscópica, o termo é usado quando as duas lentes apontam para um ponto específico diante da câmera, ao invés de estarem perfeitamente paralelas. Nossos olhos convergem da mesma maneira sobre o objeto que estamos observando. Numa foto estereoscópica em grande escala, você moveria a câmera em um arco ao redor do assunto para fazer a segunda imagem, ao invés de apenas deslocá-la de lado. O ajuste de paralaxe na Fujifilm W1 faz o mesmo, mas em miniatura. A câmera acerta a paralaxe automaticamente, mas dá para mudá-la na mão na hora de clicar ou posteriormente, usando o software fornecido em um computador (o formato 3D da Fujifilm armazena as imagens “descombinadas” até que você as exporte em um formato 2D comum). Mas isso tudo não se compara à dificuldade de exibir as imagens tridimensionais de um jeito fácil para que o olho e o cérebro humano as processem. Muitos métodos já foram usados ao longo dos anos, cada um com seus prós e contras. Alguns dos mais bemsucedidos separam fisicamente as imagens do olho esquerdo e olho direito com lentes ou visualizadores especiais, mas eles são desajeitados e restringem o tamanho da imagem. O sistema 3D ideal não exigiria equipamento para visualização, permitiria que imagens maiores fossem vistas, ou as duas coisas. Três métodos são usados: visualização livre lado a lado, óculos 3D e displays lenticulares.






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