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Conheça o processo criativo de um premiado caricaturista brasileiro

Postado por Redação Photoshop Creative em 03/02/2012 às 13h 10min

A história por trás de Lucas Leibholz!



Publicado originalmente na edição número 38 da revista Photoshop Creative.

 


Lucas Leibohlz

Em 1981, a cidade de Piracicaba (interior de São Paulo), já famosa por abrigar o maior salão de humor do Brasil, ganhou um cidadão que iria aproveitar – e muito – a tradição do evento. De tanto Lucas acompanhar as visitas anuais dos grandes caricaturistas à sua terra, não demorou muito para criar gosto pelo desenho.

Ainda garoto, frequentava a pista de skate da cidade para treinar seus traços. Desenhava os skatistas fazendo manobras e comprava revistas do tema, repletas de fotografias distorcidas por lentes “olho de peixe”, as quais ele procurava redesenhar com todos os ângulos e detalhes. “Quando vou fazer ilustrações, acabo trazendo muito dessa influência, dos ângulos puxados, das câmeras baixas”, conta.

Com a certeza de que o desenho seria sua carreira, Lucas buscou se profissionalizar e, em 2004, ganhou sua primeira menção honrosa no Salão Latino Americano Universitário de Humor de Piracicaba. De lá para cá, acumulou muitos prêmios, como primeiro lugar na categoria vanguarda no 32° Salão Internacional de Humor de Piracicaba, e clientes famosos no currículo, como as Editoras Abril e Globo e a gravadora Trama. Neste papo com Photoshop Creative, Leibholz fala um pouco sobre sua experiência.


Como é fazer caricatura no Brasil?


Não dá para dizer como é trabalhar com caricaturas exatamente, porque, para dizer a verdade, eu trabalho muito mais para a publicidade do que com as caricaturas. Os jornais usam bastante as caricaturas, e muitas revistas também as publicam, mas vejo mais oportunidades de trabalho na área editorial em geral, e não somente no jornalismo. Também faço muitos trabalhos para salões de humor e, por isso, gostaria até de publicar em alguma revista periodicamente, mas é difícil de conciliar com o ritmo de trabalho do estúdio em que sou sócio, o Technoimage.




 

Você acha que “migrar” para a publicidade é o caminho para os artistas que trabalham na imprensa?


Não diria que tenha, necessariamente, de migrar para a publicidade. Os caminhos estão se abrindo para vários tipos de mercado onde o artista pode se desenvolver. Provavelmente, a publicidade é o campo onde se tenha mais dinheiro e oportunidades, mas mercados como o de games e o cinema, por exemplo, estão crescendo muito. Acredito que num futuro próximo, teremos cada vez mais opções de trabalho.


 

A caricatura é a deformação justamente dos traços que caracterizam uma pessoa. Como você desenvolve este processo?


É um processo que precisa ser estudado e praticado. No meu caso, para fazer as distorções, busco compreender e entender os volumes, a anatomia do rosto, e faço as distorções tentando trabalhar a luzsombra com a pintura realista. É importante escolher a luz mais adequada, o melhor ângulo ou a melhor expressão. O difícil na caricatura é equilibrar suas escolhas, seja de distorção, de finalização etc., mantendo sempre o caricaturado reconhecível. Muitas vezes, os olhos e a boca já transmitem muito da expressividade do caricaturado, mas não é uma regra certa. Eu procuro tentar não me prender a isso, pois pode limitar a criação. Errar pode ser necessário para se chegar num resultado satisfatório.
 


Antigamente, uma caricatura era feita com poucos traços. Você acha que o detalhamento é um processo evolutivo?


Na verdade, temos grandes mestres da caricatura que já faziam trabalhos mais detalhados e realistas há bastante tempo, e ótimos caricaturistas que fazem hoje um belíssimo trabalho com traços simples. Não acho que seja evolutivo nesse sentido, mas a pintura digital deu um novo fôlego para a arte, permitindo a criação de acabamentos mais fotográficos. A internet, fóruns e portais de artistas digitais facilitaram a comunicação e a troca de informações, fazendo com que surgissem muita gente nova. A evolução dos games e as animações 3D também influenciaram muita gente, que passaram a estudar e aplicar a linguagem mais realista.


 

Como o Photoshop tem te ajudado nesse processo?


O Photoshop é um programa incrível e com certeza, seus recursos parecem ilimitados. Às vezes, para fazer a mesma coisa, existem vários caminhos diferentes. Podemos fazer testes à vontade, e com a ajuda do Ctrl + Z, dá pra arriscar sem medo. Porém, esse excesso de facilidades pode dificultar o desenvolvimento da percepção de quem está começando. Algumas ferramentas como o Color Piker ou o Liquify, por exemplo, facilitam muito a vida, mas ficar dependente delas pode ser um problema para a evolução do olhar. Claro que isso não é uma regra. Em meus estudos, procuro não usar esses recursos, e tento aplicar um processo de pintura mais acadêmico.
 

Em que você costuma se inspirar?


Minha inspiração vem de muitos lugares e, com certeza, onde mais aprendo é na própria Technoimage. Trabalho com grandes artistas como Tiago Hoisel, Pedro Conti, Victor Hugo, Victor Maiorino, Saulo Brito e todos lá no estúdio. Também acompanho grandes artistas como o Dácio Machado, Baptistão, Fernandez, Cárcamo, Sebastian Kruger, Jaison Seiler e muitos outros. Um artista que me influencia muito atualmente é o Norman Rockwell, tanto em temas que abordam o cotidiano, com acabamento realista, quanto nos desenhos com distorções. Não gosto muito de desenhar temas de fantasia, mundos que não existem. Apesar de gostar de vê-los, não gosto de produzi-los. Gosto da ideia da imagem ser como uma crônica, com uma situação de senso comum e um pouco de humor.


 

Com qual dos seus trabalhos você acha que aprendeu mais?*


Acho que o trabalho com o qual mais aprendi foi criando o Joe Cabeleira, um cowboy. Eu o fiz com calma e tive tempo de realizar vários testes. Nesse trabalho, fiz os desenhos bem soltos, com a distorção que gosto. Depois, tirei as fotos de referencias e fiz vários testes de iluminação. Não produzi com ansiedade.

Dicas para uma boa caricatura

Desenho A melhor dica é treinar muito o rosto, enxergar os volumes e perceber como cada um tem diferenças e particularidades.

Treino Outra dica é estudar bastante luz e sombra. Fazer muitos testes de distorção e soltar a mão sem medo de errar no desenho.

Ferramenta Achar a melhor ferramenta para a finalização e estudála a fundo. Procure a que te deixe mais à vontade.





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