O ilustre José Fujocka, um dos profissionais mais requisitados pelas agências de publicidade brasileiras, conta um pouco da sua história e sua empresa.
Ex-fotógrafo de jornais, José Fujocka descobriu que seu interesse pela pós-produção era muito maior do que pela fotografia tradicional. Acompanhou a transição da fotografia analógica para a digital e atualmente comanda a Fujocka Photodesign em ritmo alucinante para atender aos prazos loucos do meio publicitário.
Conte-nos um pouco de sua história.Abandonei a faculdade de Artes Plásticas para me dedicar à fotografia no final dos anos 1980. Trabalhei nos anos de 1991 e 1992 como fotógrafo no já extinto jornal Notícias Populares, do grupo Folha da Manhã. A partir daí comecei a me interessar por laboratório, processos alternativos de revelação, ampliação e retoques fotográficos. Foi assim que descobri que a pós-produção fotográfica me interessava bem mais do que o próprio clique. Como nesta época o Photoshop estava começando a se popularizar, não demorou muito para que eu passasse para o universo digital.
Quando nasceu seu interesse pela arte e pelo design?Aos 16 anos, quando comecei a estudar pintura.
Você é formado? Em quê?Cursei Bacharelado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, mas não concluí.
Você acha a formação superior desnecessária?Não. Acho importante para poder abrir outros caminhos de estudo no futuro, já que, no mundo acadêmico, o diploma vale mais do que a experiência.
Você acha importante fazer cursos de design/ilustração?Sim. Quanto mais ampliamos nossa cultura visual, mais bem-elaborado fica nosso trabalho.
Como você define seu estilo?Como profissional, faço o trabalho com a cara que o cliente deseja. No Photoshop, temos de ser bem pluralistas para conseguir realizar os diversos trabalhos que aparecem no dia-a-dia.
Quais artistas você mais admira?Damien Hirst e Matthew Barney.
Seu trabalho é 100% digital ou você desenha no papel antes? Adoraria desenhar antes, acho muito importante, mas infelizmente perdi esse hábito.
Como você entrou no mundo da publicidade?Comecei na publicidade após ter sido convidado a trabalhar em um grande estúdio fotográfico (Souk), que praticamente fazia apenas fotos publicitárias. Fui chamado para coordenar o departamento de retoque digital.
Você já ganhou prêmios? Acha-os importantes?Já ganhei vários prêmios como fotógrafo e os acho importantes. Além do valor pago ser bem significativo em alguns concursos, o reconhecimento de um trabalho sempre traz satisfação. Pena que no Brasil existam tão poucos prêmios sérios e de que valham a pena participar.
Na hora da criação, qual seu maior desafio?Criar até que não é complicado, o difícil é conseguir achar a ferramenta ideal e o melhor caminho para se chegar ao resultado desejado.
Em que você está trabalhando atuamente?Estamos acabando de finalizar vários trabalhos para diversas campanhas de Inverno 2008 para empresas do ramo da moda.
Como é trabalhar para você mesmo?
Nosso patrão é o cliente, por isso nunca podemos reclamar de nada.
Como nasceu sua empresa?Depois de trabalhar cinco anos em um estúdio fotográfico, resolvi caminhar por conta própria a fim de ter uma diversidade maior de trabalhos. A idéia era ter mais a cara de um ateliê de pós-produção fotográfica do que de uma empresa, atendendo a artistas e fotógrafos que estivessem à procura de trabalho e atendimento personalizados.
Como foi o crescimento da sua empresa?No boca a boca. Meu foco sempre foi o fotógrafo, do qual tento ser o melhor parceiro possível. Geralmente, quando um fotógrafo pega uma campanha publicitária para fazer, me indica para a agência para finalizar seu trabalho. Assim, fui entrando aos poucos no mundo da publicidade.
A empresa mudou de foco?Se pensarmos em qual era meu objetivo quando montei o estúdio sozinho, com o intuito de que fosse um ateliê, sim, mudou. Mas desde que a loucura do mundo da publicidade começou a pipocar, estamos sempre na mesma trilha, buscando fazer o melhor trabalho possível dentro dos prazos mais apertados. O sossego e a tranqüilidade do ateliê durou apenas seis meses.
Quais seus principais clientes?Nazca, NBS, GAS Multiagência, W/Brasil, Competence etc.
Entre seus trabalhos, qual você considera o melhor?O trabalho que mais me marcou até hoje foi a reformulação de toda a identidade visual da Parmalat, feita em 2000. Mudança de todas as embalagens e material de PDV. Foi um trabalho que durou quase um ano e teve uma proximidade muito grande de todas as pessoas envolvidas no projeto.
Quais suas ambições daqui para a frente?Dominar o 3D e unir esta ferramenta ao Photoshop, oferecendo o maior número de recursos possíveis aos clientes.
De qual recurso você mais gosta no Photoshop?Para cada necessidade, o Photoshop tem uma ferramenta que é perfeita. Mas desde que existe o Liquify, ele é o recurso que mais faz sucesso entre os clientes.
O que mais lhe irrita no trabalho com o Photoshop?Quando ele fecha na cara, sem ao menos dar um aviso.
O que ainda é muito difícil fazer com o Photoshop?Recorte de cabelo e transparências, quando estes estão em fundos muito poluídos.
Qual sua dica para quem deseja dominar o Photoshop?Tenha muita disciplina e paciência. Só com o trabalho diário e depois de passar por diferentes experiências é que se começa a ter domínio sobre o programa.
O que você diria para quem deseja seguir seus passos?Uma das coisas que acho fundamental é aprender fotografia. Se você não quer ser fotógrafo, pode ser assistente de um, pois a experiência do dia-a-dia em um estúdio é algo que será muito difícil de aprender só estudando.