O artista conceitual Francis Tsai atualmente cria lobisomens para os recém-lançados quadrinhos Tracker, aqui, ele revela como o Photoshop tornou-se uma segunda natureza
Francis Tsai adotou uma perspectiva diferente em sua vida profissional ao virar ilustrador freelance em tempo integral, graças a seu amor pela ficção científica. Com um histórico no mercado de games, ele não pensa, por enquanto, em voltar para o ambiente de escritório. O artista nos conta como o Photoshop o ajuda em sua rotina diária e como outros programas acabam levando a um sentimento de frustração. Descobrimos mais sobre seus inícios no desenho, suas buscas conceituais atuais e suas ideias para o longo prazo.
Fale-nos sobre Tracker e seu envolvimento no projeto?
Tracker é uma revista em quadrinhos publicada pela Top Cow Productions nos Estados Unidos. Jonathan Lincoln, o escritor, queria mostrar diferentes visões da história dos lobisomens, tirar toda a mitologia, como a lua cheia e os pentagramas, e tratá-los como se pertencessem a um mundo real. É apenas uma nova perspectiva da coisa. Estou fazendo a arte do álbum e meu trabalho é basicamente interpretar o roteiro e contar a história o mais fielmente possível, com uma interpretação visual das intenções de Jonathan.
Conte-nos a história de sua carreira no desenho
Comecei fazendo arquitetura. Essa foi a minha educação e trabalhei na área por três ou quatro anos. Entrei no mercado dos games em 1998 e atuei por muitos anos como artista conceitual ou diretor de arte. Nesse meio-tempo, fazia ilustrações como freelance à noite e nos finais de semana, e cheguei a um ponto em que tinha clientes o bastante como freelance e decidi fazer isso em tempo integral. Não tive vontade de voltar ao escritório até hoje. Trabalhei no filme em CG Tartarugas Ninja há alguns anos e, recentemente, em um filme chamado Sucker Punch, de Zack Snyder, que será lançado em 2011. Os dois foram projetos bem divertidos.
De onde veio sua fascinação pela ficção científica?
Essa é minha paixão desde que eu era criança e assisti pela primeira vez a Star Wars. A coisa dos lobisomens foi legal porque gosto de monstros, zumbis e vampiros, e esse tipo de criatura. Nunca achei que acabaria desenhando lobisomens para quadrinhos, mas já ilustrei dois álbuns cujos personagens principais eram lobisomens. Como eu disse, nunca pensei – mas acabou sendo assim.
No que toca ao desenho, o que é mais fácil, quadrinhos ou games, e por quê?
Eu não diria que um é mais fácil que outro, Ambos exigem um conjunto de habilidades que é preciso adquirir. Nos designs de conceito você vai fazer storyboards de vez em quando, mas na maior parte do tempo vai trabalhar na criação de um único personagem ou ambiente, o que pode ser feito em uma imagem ou uma série delas. Em uma revista em quadrinhos, são 22 páginas por mês contando uma história. O foco do trabalho é bem outro.
Em que momento o Photoshop entra em seu fluxo de trabalho?
O Photoshop é uma parte bem grande de minha caixa de ferramentas. Experimentei algumas vezes o Corel Painter, mas a cada vez que aparecia uma nova iteração, acabava voltando ao Photoshop. Acho que, por tê-lo usado desde a versão 7, os atalhos e ferramenta estão tão entranhados que nos outros programas acabo me frustrando. Quando trabalhava criando conceitos, o trabalho era uma combinação de lápis, papel e Photoshop: eu desenhava no papel, escaneava e trabalhava na renderização das luzes e texturas no programa. O ponto forte do Photoshop é a possibilidade de fazer diferentes versões dos personagens com diversas combinações de cores e texturas. É bem mais fácil voltar atrás e editar que repintar com marcadores.
No dia a dia, que parte do Photoshop você mais usa?
Eu o uso do jeito mais 2D, então a paleta Brushes é minha mão amiga. Costumo criar pincéis personalizados conforme a necessidade ou altero o comportamento do pincel para obter diferentes efeitos. A paleta Adjustments também é muito útil, é legal poder fazer ajustes e manter o original sob todas as camadas, em vez de cruzar os dedos e aplicar.
Tendo chegado a esse nível de sucesso, qual o próximo passo?
Levei muito tempo para chegar aqui, pois, na infância, interessava-me por quadrinhos e ficção científica mas sempre considerei isso um hobby, e não uma profissão. Ter chegado a esse ponto é, para mim, uma imensa realização. O plano para cinco ou dez anos seria continuar a trabalhar em diferentes áreas de desenho para a indústria do entretenimento, seja com quadrinhos ou filmes. Gostaria de criar minhas próprias histórias, para quadrinhos ou outra mídia.
Que conselho você daria aos outros artistas digitais?
Provavelmente preciso adquirir um pouco de sabedoria antes de repassála... mas siga sua paixão. Levei muito tempo para chegar ao caminho em que estou agora, que sempre foi meu sonho desde o início, e acho que se você é capaz de fazer algo de que realmente gosta, é assim que deve viver sua vida.