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Pintura digital

Postado por Redação Photoshop em 22/07/2010 às 17h 51min

Pinturas fantásticas e foto-realistas são gêneros e estilos que, na maioria das vezes, funcionam bem em conjunto.






  Clique aqui para ver o tutorial sobre mistura de cores feito por Karin Schmyntt




Por Karin Schmyntt




Pinturas fantásticas e foto-realistas são gêneros e estilos que, na maioria das vezes, funcionam bem em conjunto. A fantasia, também muito ligada à literaturas do mesmo gênero, é provavelmente integrante da arte desde que esta foi criada ao passo que o foto-realismo foi um termo primariamente relacionado a um movimento estado-unidense que ganha força no final da década de 60 com artistas como Richard Estes, Chuck Close e John De Andrea. Nesse período, a arte-fantástica, antes produzida somente pela ilustração e pintura, começa também a aparecer gradativamente em trabalhos fotográficos e a ganhar mais espaço.

Hoje, com a possibilidade de desenharmos em um computador, podemos fazer uma pintura digital e realista utilizando basicamente os mesmos conceitos que os pintores da década de 60 utilizavam; como queremos uma figura visualmente polida, sem muitos traços de pincel aparentes, faremos bastante uso de ferramentas que se assemelham aos aerógrafos, muito utilizados para realizar esse tipo de pintura em uma tela ou painel. Quanto à fantasia, as referências são essenciais: filmes, livros, outras pinturas, fatos do cotidiano e até sonhos podem ajudar no momento de compor uma atmosfera fantástica.

Este passo-a-passo, portanto, tem o intuito de esclarecer um pouco mais sobre como um trabalho do gênero fantasia e, ao mesmo tempo do estilo foto-realista, pode ser feito digitalmente. Como exemplo, utilizarei a pintura Live Water, na qual vou procurar discorrer um pouco mais sobre a técnica utilizada, bem como sobre brushes customizados, texturas e cores — é na realidade uma mistura de tutorial com making of. Como nem todos os detalhes estão completamente expostos aqui, assistir também ao vídeo que acompanha este texto poderá esclarecer alguma dúvida que eventualmente aparecer.
 
 

1) INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Este trabalho foi completamente esboçado, pintado e arte-finalizado no Photoshop CS3 — mas você também pode utilizar outras versões do programa — em aproximadamente 20 horas. O tamanho e resolução do arquivo original são, respectivamente, 2851 x 4000 pixels e 300dpi.
Para realizar a pintura utilizei, na maior parte do tempo, o brush padrão hard round edge com a opção Pen Pressure sempre selecionada (Brushes > Other Dynamics > Opacity Control > Pen Pressure), variando a opacidade do pincel durante todo o processo: para o rascunho, média à alta opacidade; para mistura de cores, baixa opacidade. Alguns brushes customizados também foram utilizados para dar maior texturização em partes específicas, como a pele da personagem e o background — esses pincéis serão melhor especificados e detalhados durante o tutorial. Além disso, também fiz algum uso do brush soft round edge, na maior parte das vezes para dar maior polimento e acabamento à figura.


 




2) IDÉIAS PRIMÁRIAS





Antes de começar um desenho é costume meu fazer alguns estudos em um caderno ou arquivo à parte para visualizar melhor a idéia e saber se os elementos e cores que quero introduzir são capazes de conversar entre si para formar uma composição o mais harmônica possível. Esse é o momento em que várias poses (no caso de ser uma personagem um dos elementos principais da pintura), combinação de cores e iluminação são testadas das mais variadas formas para que a idéia de como será o resultado final se torne o mais clara possível.

No caso de Live Water, meu conceito original foi, desde o princípio, retratar uma atmosfera obscura e dúbia, que desse espaço para o espectador fazer diversas interpretações. Por este motivo tinha em mente que deveria retratar elementos que remetessem ao estranho — e a água-viva, nesse caso, seria a peça-chave da imagem. Quanto à paleta de cores, a decisão foi baseada no conceito de cores complementares — no caso, o azul e o laranja — que dariam maior contraste ao desenho.

É sempre aconselhável perder mais tempo nessa parte. A partir dessas escolhas e estudos prévios, a chance do trabalho fluir mais rapidamente é maior, uma vez que o objetivo final está melhor visualizado em sua mente.


3) ESBOÇO


Muitos artistas digitais divergem no momento de fazer um esboço. Alguns rabiscam bastante com diferentes brushes e cores, definindo aos poucos a forma da figura que desejam retratar; outros rascunham e definem a figura, iluminação e contrastes com preto e branco para, só mais tarde, introduzir as cores — o método varia de pessoa para pessoa e de trabalho para trabalho.

Nesse caso, o esboço oficial que fiz para o desenho foi realizado no Photoshop com o brush padrão hard round edge em 100% de opacidade. Em um arquivo de background preto tracei, numa camada separada (Layer > New Layer), a silhueta da personagem que iria ser retratada no trabalho para que eu pudesse ter, principalmente, maior segurança e controle da anatomia — é muito útil nesse caso utilizar bonecos ou modelos nus como referência para te auxiliar e dar maior certeza de que proporções, musculaturas e volumes corporais estão corretos.
 
Uma vez concluído o esboço, utilizo-o como base para definir o volume da figura. Para isto, em uma nova camada, começo preenchendo a silhueta com a cor base da pele da personagem, escurecendo em seguida o traçado do rascunho e diminuindo sua opacidade para trabalhar melhor a figura.


4) BLOCKING

Conhecida a silhueta que irei trabalhar, é hora de aplicar as cores. Seguindo a paleta que havia definido anteriormente, comecei a introduzir as cores e a iluminação com traços rápidos, variando a opacidade do brush entre 50 e 70% e não me importando por enquanto em ser muito precisa na forma, limite ou detalhe da figura — e sim com a direção e o foco da luz e o modo como o corpo da personagem responderia à ela.

Esse tipo de procedimento é costumeiramente chamado de color block e geralmente oferece uma boa idéia de como parecerá o resultado final de um desenho, principalmente se você estiver trabalhando com uma técnica direcionada ao foto-realismo.
 
Colorindo inicialmente toda a imagem em “blocos” você tem a possibilidade de fazer maiores ajustes e confirmar se a escolha de cores é interessante, se a iluminação e composição estão corretas, etc. antes mesmo de começar a detalhar seu trabalho — desta forma você ganha mais tempo e pode focar nos elementos importantes do seu desenho.

Procure também sempre ter à sua disposição uma rica paleta de cores ao introduzir luz e sombra à sua pintura; por exemplo, ao invés de usar a cor branca para definir luzes, experimente usar azul turquesa ou rosa, ambos bem claros — tente fazer o mesmo com as sombras: ao invés de preto, opte por violeta ou azul escuros.

 

5) DETALHES INICIAIS E MISTURA DE CORES


Assim que as formas sólidas e básicas estão definidas, a segurança para aplicar alguns detalhes é maior. Esse foi o momento em que comecei a definir melhor o rosto e o formato do “cabelo” da personagem, bem como algumas partes de seu corpo, como seios, braços e pernas.




Foi nessa ocasião que a mistura e polimento de cores também ficaram mais intensos, o que fez com que o traçado do pincel fosse gradativamente se tornando menos perceptível.

Para misturar cores o melhor que puder, procure sempre utilizar um brush com baixa opacidade — algo em torno de 10 a 15% — e, para superfícies lisas, experimente dar um acabamento com o brush soft round edge, tomando cuidado para não deixar a imagem com um aspecto muito “aerografado”.







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Abel Costa



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