Pinturas fantásticas e foto-realistas são gêneros e estilos que, na maioria das vezes, funcionam bem em conjunto.
6) MÃOS E PÉS
Por apresentarem grande variedade de posição, expressão e anatomia, mãos e pés
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podem vir a ser mais complicados na hora de desenhar. Por isso, quando for retratá-los, procure fazer uso de alguma referência: uma foto ou um modelo vivo — que, no caso, pode ser um parente, um amigo ou você mesmo — devem bastar. Isso fará com que a probabilidade de erros cometidos seja reduzida consideravelmente e ajudará você a observar e compreender ao longo do tempo como cada parte se comporta em
determinadas ocasiões. Esboços e estudos à parte também são recomendáveis de se realizar sempre que você tiver oportunidade já que, assim como o corpo humano em si, mãos e pés se diferenciam conforme o sexo, a idade da pessoa, etc.
No caso deste desenho utilizei meus próprios pés e mãos como referência, optando por rosa, verde e violeta durante minha mistura de cores para diversificar um pouco mais a paleta original.
7) “CABELO”
Durante a criação conceitual do desenho, decidi que o “cabelo” da personagem seria um dos principais elementos que confeririam um tema fantástico à imagem. A inspiração, tanto da forma em si quando das cores e texturas, veio dos próprios tentáculos que as águas-vivas apresentam, em especial a água-viva gigante.
Como o objetivo era obter um resultado visualmente borrado, o uso da Smudge Tool foi essencial para atingi-lo. Aplicando diversas cores para criar um visual mais interessante, fiz primeiramente o esqueleto da forma com o brush hard round edge em 100% de opacidade, aplicando gradualmente a Smudge Tool para desfocar com mais segurança algumas partes da imagem — nesse sentido, utilizar esta ferramenta é melhor do que misturar cores com o pincel soft round edge justamente pelo fato de você poder melhor controlar o quê e o quanto borrar; utilizando a ferramenta de forma moderada, o risco de se deparar no final com uma imagem “manchada” é bem menor — o mesmo vale para a Blur Tool, que pode proporcionar belos resultados, principalmente quando utilizada para retoques finais.
8) A ÁGUA-VIVA
A pintura da água-viva seguiu, basicamente, os mesmos processos de esboço e arte-final do “cabelo”, sendo utilizadas as mesmas ferramentas para fazê-la. A única coisa que talvez tenha realmente diferido foi o fato de eu ter utilizado modo e efeitos de camada como, respectivamente, Vivid Light e Outer Glow para enfatizar melhor a transparência (característica típica de uma água-viva) e o brilho bioluminescente do animal, que é o principal foco de luz na pintura.
Ao desenhar um animal, principalmente aquele com o qual você não possui tanta familiaridade, busque o máximo de referências que puder para observar e estudar suas principais características e comportamentos. É sempre importante notar o que diferencia cada um para você poder explorar ao máximo a anatomia, as poses dinâmicas, as expressões corporais, etc. e obter desta forma o melhor resultado possível. Além disso, a partir de um estudo mais aprofundado você pode criar animais de aparência inusitadas, que funcionam extremamente bem em pinturas de temática fantástica — vide ilustrações de Boris Vallejo, Frank Frazetta e Paul Bonner, por exemplo. De preferência, faça vários croquis antecipados para expressar melhor sua idéia e observar se ela funciona ou não.
9) BREVES TEXTURAS
Uma das mais incríveis maneiras de dar mais vida ao seu trabalho artístico é aplicando texturas, já que elas conseguem afetar a percepção de uma imagem. Dependendo de como e onde você as aplica, as texturas não transmitem apenas sensações táteis; podem também transmitir, poeticamente, atmosferas e mensagens que conseqüentemente convidam o observador a fazer leituras pessoais da obra que você estiver apresentando, tornando-a desta forma muito mais interessante e expressiva. Mas cuidado com excessos! Uma dose exagerada pode estragar seu desenho ou, pior, deixá-lo visualmente bagunçado e confuso. Procure aplicar texturas em um estágio avançado da sua pintura, quando as formas já estão quase que definidas por completo e faça isso de forma gradativa para atingir o resultado mais natural possível.
Em arte digital você pode colocar texturas em seus desenhos extraindo-as de fotografias ou mesmo criando alguns brushes customizados, cujas formas estarão relacionados com o efeito que você quer induzir.
Em Live Water utilizei, basicamente, 2 brushes customizados. O primeiro pincel, utilizado neste passo, foi originalmente criado para desenhar nuvens em um outro trabalho, mas funcionou bem neste caso para definir algumas pequenas imperfeições e poros na pele da personagem.
Em uma camada separada, no modo Normal, apliquei o brush em algumas partes do corpo da personagem, em especial seios, barriga e perna, sempre em baixa opacidade para evitar conflitos e “concentração” de texturas somente em alguns pontos da imagem.
10) AJUSTE DE CORES
À esta altura, como diversos elementos da figura já estavam expostos e definidos, faltando pouco para finalizar a pintura, pude dar uma segunda olhada geral à procura de maiores erros e, entre outras questões, notei que as cores, infelizmente, ainda não estavam de acordo com o tema — além do fato de que o azul estava se apresentando
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como cor predominante na imagem. Caso isso acontecer também com você, é possível corrigir as cores facilmente na opção Color Balance
(Image > Adjustments > Color Balance), equilibrando-as de acordo com seu gosto e com a atmosfera que você desejar criar.
É sempre válido testar diversos tons, tonalidades, saturações e valores em teus trabalhos — principalmente naqueles que você, por algum motivo, não gostou muito do resultado — já que esses acertos podem rapidamente mudar o estilo e o “humor” do teu desenho, tornando-o completamente diferente e mais (ou menos) interessante. No caso de ser um trabalho relacionado à fantasia ou ficção científica, qualquer escolha é bem-vinda, apenas procure evitar monocromatismos, já que isso pode por vezes tornar o seu trabalho visualmente desinteressante.
11) NOISE FILTER
Sendo geralmente utilizada no final do processo, esta ferramenta pode ser muito útil caso você estiver procurando por uma texturização extra e um “toque final”, especialmente se a figura envolvida for a de um ser humano ou animal. Diferentemente de um brush customizado ou de uma textura extraída diretamente de uma fotografia, o Noise Filter é capaz de criar pequenas variações de cor no desenho, oferecendo uma aparência “pixelizada” que pode ser visualmente interessante principalmente se você estiver lidando com uma pintura foto-realista. Seu processo de aplicação pode ser explicado utilizando a imagem ao lado como exemplo, inicialmente sem o filtro:
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Primeiramente, achate sua imagem em Layer > Flatten Image e duplique-a. Clique na camada duplicada para selecioná-la, vá a
Filter > Noise > Add Noise e ajuste
Amount para 8%.
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Em seguida, na mesma camada, abra a janela
Gaussian Blur em
Filter > Blur > Gaussian Blur e selecione
Radius para 0,5 pixel.
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Para finalizar, ajuste a opacidade da camada de acordo com a intensidade de granulação que você deseja que sua imagem tenha — para um efeito sutil, o número pode variar entre 30 a 60%, dependendo do tamanho da imagem.
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Achate novamente a sua imagem e você terá isto como resultado final:
Para que o resultado do Noise Filter seja o melhor possível é recomendado que você o aplique ao final de todo o processo da sua pintura ou, no mínimo, em um estágio relativamente avançado da mesma, quando a maioria dos detalhes já estão definidos e expostos com clareza — desta forma a uniformidade do filtro é mantida e você não corre o risco de acabar com uma imagem granulada somente em alguns lugares.
12) BACKGROUND
O background de um desenho pode diferir dependendo do elemento para o qual você quer direcionar a atenção do observador. Ambientes detalhados e complexos são geralmente retratados quando se está trabalhando em uma paisagem ou com personagens que se apresentam de maneira secundária em um desenho.
Do contrário, se sua pintura for, principalmente, um retrato, fundos simples talvez sejam a melhor opção para que a atenção do observador seja orientada até o elemento principal de sua pintura, que pode de ser um ser humano, um animal, um objeto, etc. O background pode variar entre algo abstrado e figurativo em um retrato, mas quase sempre as formas apresentadas são mais simples e leves para que a atenção do observador não seja desviada.
Em Live Water, optei por um fundo abstrato e simples, relativamente rápido de ser concluído. Criando uma nova camada, rascunhei primeiramente a forma com o brush hard round edge e, depois, fui gradativamente colocando cores, sombras e texturas com um brush customizado, o segundo e último utilizado nesse trabalho.

Clique aqui para ver o tutorial sobre mistura de cores feito por Karin Schmyntt